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Um A Bela e a Fera Moderno

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Para aqueles que, como eu, adoram filmes de contos de fadas, aqui está um que eu acabei de assistir e que me apaixonei:

BEASTLY

Lembro-me de semanas atrás ver, despropositadamente, o trailer deste filme no youtube. Eu estava procurando Conan, O Bárbaro – nada há ver, mas tudo bem  – quando aquele imagenzinha do canto dos vídeos me chamou atenção: um Alex Pettyfer, antes belo, transformado em uma fera, como o próprio nome do filme diz, cheia de cicatrizes e tatuagens espalhadas pelo corpo.

Baseado na visão do protagonista masculino, o filme, originalmente chamado Beastly, ou em português “A Fera”, conta a história de um amor entre um bad boy, inteligente, sarcástico, rico, egocêntrico, popular e bonito chamado Kyle Kingson (Alex Pettyfer) e uma garota pouco sociável chamada Linda Taylor, interpretada por Vanessa Hudgens. 

Filho de um âncora de televisão, Kyle, além de ter tudo, dá todo o crédito a sua aparência, assim como foi ensinado por seu pai. Em uma campanha para presidente do comitê verde da sua escola – que mais parece universidade – Kyle maltrata os vulgos feios e burros e diz que a seleção natural é a responsável pelas posições a margem da sociedade escolar. Kendra (Mary-Kate Olsen), uma bruxa transvestida de estudante, manda um feitiço que trará a superfície tudo o que ele era por dentro. Cheio de angustia, soberba, maus tratos para com as pessoas, o sempre fofo Freddie de “Garota Mimada” troca sua carcaça de galã pela de uma verdadeira fera. Para comprovar a maldição, uma tatuagem de uma árvore foi feita pela personagem, muito bem criada, por sinal, da gêmea Olsen que representa o período de um ano que ele tem para conquistar alguém e ouvir desta pessoa um “eu te amo”  sincero que o fará voltar a sua antiga aparência. 

Seu pai, com medo do que a mídia poderia fazer com a notícia da transformação de seu filho, decide comprar uma casa distante da cidade para tranca-lo por lá até que ele, segundo, “sare”. Essa solidão não foi total, por causa de Zola, uma imigrante com três filhos juntos ao pai em outro país e também sua empregada que cuidava dele e procurava sempre anima-lo, inerente os tocos que ela recebia, e de Will que seria seu tutor, cego aos 15 anos, já que Kyle não poderia mais frequentar a escola. No começo, por maiores que fossem as tentativas de aproximação, ele as rechaçava com sua ignorância, mas quando a dor de se sentir expulso de casa pelo pai e a percepção de que todos os seus amigos o odiavam, faz com que ele busque ajuda nas pessoas mais improváveis.

Vanessa Hudgens como Linda está no doce e velho estilo High School Musical com um quê a mais de descontração e informalidade. Ela é filha de um viciado em drogas e praticamente vive por ele. Ela é o tipo de garota que Kyle nunca iria querer, sorridente, de bem com a vida, sem o glamour de marcas famosas, boa de coração e com uma falta enorme de carinho e atenção que se acumularam durante sua vida. 

Nas entrevoltas do destino, essas duas almas acham um meio de ficarem juntas, mesmo que primordialmente não queiram. Enquanto Kyle deixa de ser o garotinho mimado e superficial, Linda conhece o seu lado Hunter – nome ficcional que ele inventara para não reconhecê-lo.

Ela não é uma garota comum, e assim como ele tem seus problemas familiares. E as diversas similaridades entre os dois não acabam nos pais. Para conquistar Linda, Kyle terá que mudar todo o seu conceito de “garota” e seus prolongamentos, como presentes com mais significado que etiqueta. Essa revisão vai fazê-lo penar, mas ele está louco para que aconteça.

Considerado um remake do clássico “A Bela e a Fera”, Beastly é baseado em um livro de mesmo nome escrito por Alex Flinn e foi lançado em março desse ano e só chegará nos cinemas em 12 de agosto. O elenco é composto com atores que eu adoro e que por muitas vezes são subjugados pelas suas produções infantis de tempos passados. Deve-se alavancar palmas para a interpretação de Alex Pettyfer pela sua interpretação. Realmente, ele deu vida a uma magnífica fera. A Vanessa, na sua personagem peace&love trás muito do seu próprio estilo, principalmente na festa a fantasia quando se veste de hippie, e até ganhou um Prêmio Estrela do Amanhã por sua Linda. Uma volta à la Bruxado71 de Mary-Kate Olsen ignorando seus anos áureos de puro rosa e aderindo ao dark way of life mais cicatrizes e sapato alto.

Contudo, além da mágica revira volta que Kyle faz para se parecer merecedor de Linda, o que chama mais atenção em todo o filme é o trabalho magnânimo da equipe de maquiagem. Tony Gardner e Alterian foram responsáveis por criar a Besta. Composto de 67 peças, 60 tatoos e cicatrizes individuais, eles conseguiram tornar Alex em um desconhecido completo. Entre seus outros trabalhos estão o de John Travolta como a mamaezona Edna Turnblad em HairSpray e o Zombieland. E acreditem se quiser… O custo total do filme foi de somente 20 milhões de dollares! Muito pouco em relação a tantos outros filmes que são produzidos ultimamente pela industria hollyodiana.

Enfim, venho através deste mostrar o quanto adorei o filme e o quanto vale a pena assistir filmes como esses, os quais sempre mostram como podemos recomeçar nossas vidas do zero apesar das dificuldades postas em nosso caminho. A lição de Kyle sobre: “Não é o de fora que vale mais em uma pessoa, mas sim, o que há dentro dela”, e nós? Será que precisaremos sempre de uma bruxa malvada para nos lançar um feitiço com o propósito de nós aprendermos com nossos próprios erros e deixar de lado o preconceito vivido dia-a-dia em nossa sociedade?

XoXo Sunshines,

P. V. do R. Freire

P.S.: Um ótimo filme para se comer no meu modo mais legítimo de aproveitar um filme: com muita pipoca recheada de brigadeiro! E um litro de água depois…

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